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TRANSTORNO DOS SONS DA FALA

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Os Transtornos dos Sons da Fala (TSF) são dificuldades persistentes na produção dos sons, que podem envolver erros na articulação (como o som é produzido fisicamente) ou na organização dos sons dentro do sistema da língua (regras fonológicas). Diferente dos Transtornos Motores, onde o problema está no "comando" ou na "força" dos músculos, nos TSF a questão central costuma ser o aprendizado e o uso correto dos sons que compõem a fala.

Dentro dos TSF, classificamos as dificuldades em duas naturezas principais: ​​

 

Transtorno Fonético (Articulatório): É a famosa "troca na fala" de origem motora/funcional. A criança tem dificuldade em posicionar a língua ou os lábios para produzir um som específico (como o "R" vibrante de rato ou o "S" de sapo). É uma falha na execução do ponto articulatório. ​

 

Transtorno Fonológico: Aqui, a criança consegue produzir o som isoladamente, mas não sabe como utilizá-lo dentro das palavras. O cérebro ainda não organizou o sistema de sons da língua, levando a simplificações (processos fonológicos) que já deveriam ter desaparecido de acordo com a idade. ​

Quais são os principais sinais dos Transtornos dos Sons da Fala?​

Embora cada criança tenha seu ritmo, existem marcos de desenvolvimento. O sinal de alerta surge quando a fala permanece ininteligível ou com trocas que não condizem com a idade cronológica. ​ 📢 Sinais gerais de alerta

  • Trocas de sons: Substituir um som por outro (ex: dizer "pato" em vez de "prato" ou "tasa" em vez de "casa").

  • Omissões: Deixar de falar parte da palavra (ex: "atã" em vez de "avião" ou "obo" em vez de "lobo").

  • Distorções: O som é produzido, mas de forma "ruidosa" ou atípica (como o escape lateral de ar, o famoso "ceceio").

  • Fala "infantilizada": Quando a criança mantém padrões de fala de bebês em idades onde já deveria ter um repertório completo. ​ 📈 Impacto na Alfabetização Os sons da fala são a base para a escrita. É comum observar:

  • Reflexo na escrita: A criança escreve exatamente da forma como fala (ex: se troca o "F" pelo "V" na fala, comete o mesmo erro no papel).

  • Dificuldade em consciência fonológica: Dificuldade em rimar, separar sílabas ou identificar sons iguais em palavras diferentes. ​

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

O diagnóstico é realizado através de uma avaliação fonológica e articulatória. Nela, o fonoaudiólogo analisa quais sons a criança já domina, quais ela consegue imitar e em quais contextos os erros aparecem. É fundamental descartar perdas auditivas ou questões anatômicas (como o freio de língua encurtado). ​ O tratamento visa não apenas a correção do som isolado, mas a sua generalização para a fala espontânea, através de:

  • Estimulação Sensorial: Pistas visuais, auditivas e táteis para o acerto do ponto articulatório.

  • Bombardeio Auditivo: Treino de escuta para que o cérebro aprenda a diferenciar os sons corretamente.

  • Consciência Fonológica: Atividades que ajudam a criança a entender a estrutura dos sons nas palavras.

  • Treino Funcional: Jogos e atividades lúdicas que levam o novo som para o dia a dia da criança.

Referências:

  • Wertzner, I. F. (2004). Transtorno Fonológico. In: Tratado de Fonoaudiologia.

  • Bowen, C. (2015). Children's Speech Sound Disorders.

  • Mota, H. B. (2001). Terapia fonoaudiológica para os desvios fonológicos.

  • ASHA (American Speech-Language-Hearing Association) - Speech Sound Disorders.

A fala clara é a ponte para a socialização e o aprendizado. Se você percebe que seu filho tem dificuldade em ser compreendido ou apresenta trocas após os 4 anos de idade, uma avaliação especializada é o primeiro passo.

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